quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Há males que vêm para o bem (relato pessoal)



                             Há males que vêm para o bem

Era um dia à tarde. Eu morava em Teresina com meus padrinhos e estava em casa sozinha quando decido ligar para minha vó e falar que queria muito morar com ela e com minha mãe. Mas nós conversamos tanto sobre outras coisas, que quando eu ia soltar a bomba, chegou uma pessoa na casa dela e teve que desligar. Os dias foram passando e eu sem tirar aquela ideia fixa da cabeça. Logo eu liguei pra ela de novo, o telefone tocou várias vezes e nada da minha vó atender. Então eu pensei que algo importante havia acontecido por lá.
No outro dia eu ligo novamente, mas dessa vez ela atendeu e deu-me uma péssima notícia: ela e minha mãe tinham discutido por motivos que eu até hoje não tenho conhecimento e por isso minha mãe deixou minha vó morando sozinha. Chorando, eu disse que queria ir embora de Teresina para morar com ela em Angical. Rapidamente minha vó perguntou se era minha decisão final e eu falei que era sim. Então falou que ia me buscar e pediu para eu não contar para os meus padrinhos.
Foram dias péssimos. Ainda morando com meus padrinhos, chorei muito escondida no banheiro. Apesar de eu não ser tão apegada a minha mãe, amava-a e chateei-me ao saber que não iria vê-la todos os dias.
Certo dia, recebo uma ligação da minha mãe falando que ela e minha vó tinham conversado, uma conversa séria que resultou em entendimento. Eu fiquei extremamente feliz com a notícia e contei pra ela sobre a ideia de ir morar novamente em Angical. Minha mãe então respondeu que se eu quisesse poderia voltar e em seguida perguntou se eu queria morar com ela e meu pai ou com a vó. Respondi que era melhor morar mesmo com a vó a fim de que esta não ficasse sozinha.
Claro que minha mãe entendeu e disse que eu estava certa em querer fazer companhia a uma pessoa de idade. Poucos dias depois dessa conversa, minha vó foi me buscar em Teresina.
Foi muito bom eu ficar na casa da vó, pois minha mãe e ela ficaram mais unidas. A mãe ficou mais carinhosa comigo, antes ela saia de casa pela manhã e só voltava à noite muito bêbada. Ela não sai mais para ficar tantas horas sem aparecer. Somos mais amigas, conto tudo sobre minha vida, quer dizer, quase tudo. Apesar do início ser um pouco difícil, mas como diz o ditado “Há males que vêm para o bem."                          


   Núbia Luísa, 1º B. U.E.DEMERVAL LOBÃO, setembro de 2017.


Dias de dúvidas, dias de glória (relato pessoal)



                         Dias de dúvidas, dias de glória

Após vários meses de preparação, ali estávamos, prestes a dar um grande passo ao futuro. Aquele episódio poderia mudar a trajetória das nossas vidas. Foram muitos dias de estudos com os amigos, na minha casa, que fica no Caldeirão, interior da cidade de Angical do Piauí.
Em janeiro de 2017, faltavam apenas dois dias para pôr em prática tudo o que tínhamos aprendido, não só durante alguns meses, mas de vários anos de esforço e dedicação. Naquele dia tudo que havíamos aprendido não parecia ser suficiente para alcançar nosso objetivo. Em momentos assim, o psicológico e o emocional de qualquer indivíduo são levados a inúmeras objeções. Nada era o bastante para que tivéssemos total segurança ao fazer uma prova de sessenta questões que seria responsável por decidir quem passaria e quem não seria aprovado. No momento a pior dúvida que passava diante de nossas cabeças era a de que tudo o que nós estudamos talvez não fosse suficiente para que conseguíssemos uma nota proveniente para nos classificarmos.
Nada nos tranquilizava diante de tudo o que havíamos passado até aquele dia, tínhamos dúvidas, exaustão, cansaço, sono, todas essas dificuldades pesavam de forma insana para não termos descanso.
Eis o momento principal do fato, exame classificatório do IFPI (Instituto Federal do Piauí, janeiro de 2017), já não havia o que estudarmos, pois àquela hora não dava mais tempo para nada, o que não foi solucionado até ali, não tinha mais importância, pois o tempo estava acabando e só restava uma coisa: descansar, esquecer por um momento tudo que tínhamos visto. Calma, tranquilidade era o remédio para que a prova fosse feita com sucesso, da maneira mais branda possível.
Enfim, o pesadelo tinha acabado. Ao término da prova, a qual tínhamos nos preparado bastante, não havia mais nada a fazer além de esperar. O resultado por mais demorado que tenha sido, quase três meses, trouxe consigo muita alegria, pois fiquei classificado em terceiro lugar para o curso de informática integrado ao médio.


       Augusto Franco Ferreira Soares, 1º A. U.E. DEMERVAL LOBÃO, Angical PI,
setembro de 2017




Uma luz no fim do túnel (relato pessoal)



                                   Uma luz no fim do túnel

Quando eu tinha treze anos, mais precisamente em maio de 2014, conheci um rapaz através de uma rede social. Começamos uma simples conversa, mas aquele papo foi fluindo por horas, dias, meses, até virar rotina, pois todos os dias conversávamos. Resolvemos, então, marcar um encontro. Foi uma noite maravilhosa porque eu estava com ele, mil maravilhas. Saímos pela cidade, jogamos conversa fora, apresentou-me para a família dele. Até aí tudo bem. Eu era muito nova; por isso meus pais não deixavam, não aceitavam eu namorar.
Decidi fugir de casa por acreditar que ele era “meu grande amor”. Passei três dias fora de casa sem dar notícias. Meus pais ligando o tempo todo pra mim, desesperados e eu sem atender. Então, resolvi voltar ao encontro da minha família.
Conversamos, contei tudo o que de fato tinha acontecido. Passei alguns dias distante de todos, assustada, com aquele olhar de medo e desânimo, sem conseguir olhar nos olhos deles.
Até que o inesperado aconteceu: minha menstruação atrasou. Eu contei para esse rapaz o que estava acontecendo e ele falou que se fosse gravidez, ele assumiria e ficaria comigo. Falei sobre tudo isso com meus pais. Eles, é claro, ficaram loucos, pois eu era muito nova. Fiz o teste de farmácia e deu positivo.
Confesso que fiquei desesperada. Iria perder minha adolescência, meus estudos, enfim, era uma vida que estava em jogo. Eu mergulhei com tudo nessa nova fase da minha vida e acredite, foi bem difícil, eu posso afirmar e provar. Porém, foi uma fase muito importante também. Apesar das dificuldades, eu sempre estive de cabeça erguida e minha família estava sempre ao meu lado. Sofri muito preconceito por ser tão nova e já estar grávida.
O tempo foi passando e meu amor só crescia por aquela criança que eu esperava ansiosa para tê-la em meus braços. Aos quatro meses de gestação fui fazer uma ultrassonografia. Eu, na clínica, sentada numa cadeira ao lado do meu namorado, esperando minha vez de entrar na sala. Deitei na maca. Naquele momento a felicidade tomava conta de mim ao ver meu bebê crescendo saudável dentro da minha barriga, ouvir seu coraçãozinho batendo. Mas felicidade mesmo foi saber que seria uma princesa. Não consegui conter as lágrimas.
A barriga só crescia e todos já podiam perceber que eu já não estava mais sozinha. Aos sete meses, minha gestação apresentou riscos, fui às pressas para o hospital da minha cidade, Angical, que por sua vez, não tinha médico. Então fui para Água Branca PI passando muito mal. Passava a mão na minha barriga com medo que algum mal acontecesse a minha princesa. Lá o médico me atendeu, passou uma medicação e voltei para o hospital de Angical para aplicarem um soro e uma injeção em mim. Porém logo tive uma crise convulsiva e o médico, que já estava indo embora, voltou para me atender. Só ouvi minha mãe chorando e gritando, então apaguei.
Quando acordei, estava cheia de aparelhos, numa ambulância com uma enfermeira. Apaguei novamente. Ao acordar dessa vez, já estava num quarto de hospital, minha mãe comigo segurando minha mão. Levaram-me para a UTI onde eu seria medicada e mais uma vez tive uma crise. Dessa vez havia sido eclâmpsia, pois minha pressão subiu muito. Levaram-me para o centro cirúrgico às pressas e eu não entendia o que estava acontecendo. Ouvi longe o choro da minha princesa. Os médicos colocaram-na sobre mim, coisa rápida. Não vi mais nada. Quando novamente acordei estava num quarto cheia de aparelhos. Fiquei desesperada, pois minha filha não estava comigo. Gritei, perguntei por ela ao médico e ele falou que ela estava bem na enfermaria com minha mãe e que era uma criança linda. Ainda passei três dias na UTI até conseguir alta e finalmente ver minha princesa. Chorei emocionada ao ver e sentir que tudo aquilo valeu a pena. Amamentei-a, passei horas olhando para ela e agradecendo a Deus por tudo ter dado certo. Apesar de ser prematura, nasceu saudável.
Quanto a mim e ao pai dela, não estamos mais juntos, mas sempre que pode, vem visitá-la.
Hoje minha vida resume-se a Emylle Vitória, ela é tudo que eu tenho, linda, inteligente e saudável. Digo e provo que o amor verdadeiro existe sim.


                      Gislênia  Milanny, 1º C. U.E.DEMERVAL LOBÃO, ANGICAL PI, setembro de 2017


sábado, 2 de setembro de 2017

PRIMEIRO BEIJO! (relato pessoal)

                                             Primeiro beijo

Primeiro beijo! Quem já vivenciou esse momento, sabe o quanto é constrangedor e nojento ao mesmo tempo.
Quando você nunca beijou, ou melhor dizendo, é B.V. (boca virgem), e assiste aquelas cenas de novelas com beijos, abraços, a coisa mais fácil do mundo, pensa que sabe fazer o mesmo que os atores. Muitos adolescentes que já beijaram, contam suas experiências traumáticas que tiveram. Para a maioria das pessoas, o primeiro beijo foi um desastre, porém o meu... o meu foi diferente.
Eu sempre tive amigas mais velhas e por isso eu escutava suas histórias sobre o primeiro beijo. E andando com elas, via algumas “ensinando” as outras a beijar usando técnicas caseiras e se você parar para pensar, são bastante vergonhosas.
Entre tais técnicas destacavam-se aquela de chupar o gelo dentro do copo com água, beijar a laranja como se fosse a boca do garoto, e até mesmo, beijar o espelho. Eu achava muito vergonhoso.
Nas nossas conversas, sempre tocávamos nesse assunto e quando elas me perguntavam se eu já tinha beijado, sempre respondia que sim. Era até ruim mentir pra mim mesma.
Certo dia, um garoto com mais ou menos 12 anos, pediu pra “ficar” comigo e lembro que eu só tinha 10 anos. Minhas amigas insistiram muito pra eu “ficar” com ele. Até que era bonitinho. Então aceitei. Marcamos hora, lugar, tudo certinho. E eu como sempre, com trauma de beijar, dele achar ruim ou decepcionar-se comigo. Resumindo, vergonha misturada com medo de ser um DESASTRE.
Então chegou o grande dia. Fomos para o lugar marcado. Minha amiga me deixou a sós com ele. Medo, vergonha, desespero. Mas no final tudo ocorreu bem. O beijo não foi dos melhores, também não foi dos piores. Para falar a verdade, foi uma experiência ótima e faria de tudo pra voltar no tempo, precisamente, aquele dia, aquele momento.


  Solange (pseudônimo), 1ºA. UNIDADE ESCOLAR DEMERVAL LOBÃO. SETEMBRO DE 2017, ANGICAL,PI.

                                     

RELACIONAMENTO ABUSIVO (relato pessoal)

                               Precisamos falar sobre abuso

Quando resolvemos falar sobre abuso, a primeira coisa que vem à cabeça de muitas pessoas é o abuso sexual. Mas acredite! Existe outro tipo de abuso que machuca muito também. Chama-se relacionamento abusivo, que não maltrata o corpo, mas a alma.
Há alguns anos conheci um rapaz pela internet. Eu era muito nova, tinha 12 anos, praticamente uma criança. Foi durante a madrugada de uma quarta-feira de agosto de 2013.
Tudo começou com uma conversa, com apenas uma conversa, porém muito atraente. Ele sempre me elogiava dizendo o quão linda eu era. Essa conversa estendeu-se por muitos dias até nos conhecermos pessoalmente. A sensação de conforto tornou-se ainda maior. Eu apenas estranhava porque ele pedia pra manter nossa relação em segredo. Mas a loucura e o medo de perdê-lo era tão grande que eu aceitava.
O tempo passou e descobri a primeira traição. Foi como se o chão tivesse aberto sobre meus pés, e quando o questionei, ele ainda me culpou por tudo e disse que se eu não o valorizava, ele tinha que encontrar isso na rua.
Eu não entendia. Como que eu não o valorizava? Eu fazia de tudo pra manter nosso relacionamento vivo. Agarrava esse amor com unhas e dentes. Não queria perdê-lo de forma alguma porque ele sempre me dizia que eu nunca encontraria alguém igual a ele e isso me despertava medo, tanto medo de ficar sozinha, medo de não ser amada por outro. Então eu o perdoei e ele jurou que nunca mais faria aquilo novamente. Pobre criança iludida! Mal sabia que ali era apenas o começo de uma grande tempestade que estava por vir.
Esse relacionamento estendeu-se por longos quatro anos. Quatro anos de muitas traições por parte dele. Eu acabei aprendendo a trair também e quando ele descobriu, choveram xingamentos sobre mim. Nunca me senti tão humilhada quanto naquele dia. Mesmo assim, voltamos. Minha mãe acabou descobrindo e por inúmeras vezes tentou me tirar dele, mas eu não aceitava. Pra mim, ele era o verdadeiro príncipe encantado.
Algum tempo passou e foi neste ano que descobri o real significado de assistir a um filme de terror. O príncipe virou um monstro. Os elogios que eu raramente ouvia, tornaram-se palavras horríveis. Ele dizia que eu necessitava dele, que o meu corpo não era bonito e parecia um saco de ossos, que não adiantava eu me arrumar. Além disso, enviava fotos de outras mulheres e falava que aquilo sim era corpo de verdade. Enfim, a sensação de conforto tornou-se uma sensação de prisão. O amor virou posse, eu já não podia ir às festas, nem sair com as amigas.
Até que um dia, em um surto de coragem, eu resolvi colocar fim naquilo tudo, pois aquela relação só me fazia mal, só me magoava, e o adeus dele já não me deixava triste.
Se eu pudesse voltar no tempo e conversar com aquela menina de anos atrás, que vivia chorando desesperada, eu apenas falaria: “Acalme sua alma, você é linda! Ele não a ama e você é capaz de deixá-lo. Escute sua mãe porque ela tem razão.”
Hoje eu me sinto livre, ainda adaptando-me a esta nova fase, porém muito feliz. Não mantenho mais contato com ele e nem pretendo.
Lembro que no fim da nossa conversa ele ainda teve coragem de falar que eu nunca encontraria alguém igual a ele e eu sorri e respondi: “Deus te ouça!”


MYLENNA, 1º C, UNIDADE ESCOLAR DEMERVAL LOBÃO; SETEMBRO DE 2017. ANGICAL, PI.



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Da infância para a vida (relato pessoal)

                              Da infância para a vida

Tudo começou quando eu tinha sete anos e comecei a frequentar a casa da minha madrinha. Lá conheci a Lucilane e o Jaslef, ambos marcaram minha infância. Eu ia pra lá quase todos os dias para brincarmos de mãe, pai e filho. Foi a partir dessa brincadeira que o Jaslef mostrou gostar de mim.
Com o passar do tempo fomos para um interior que pertence a um tio meu. Chegando lá, brincamos e nos divertimos muito naquele ambiente campestre. Nas brincadeiras que envolviam outros garotos percebia que Jaslef sempre tinha certo ciuminho porque fui a primeira menina que conquistou o coração dele.
Não conseguimos resistir ao sentimento e começamos a “ficar”, mas é claro, um “fica” de infância, aquele beijinho no rosto, na mão, aquela forma de carinho tão delicado que fica guardado na memória.
À medida que eu ia crescendo, também ia conhecendo mais um pouco sobre o mundo, esquecendo aquelas brincadeiras de casinha e conhecendo outros garotos. Foi quando conheci e me aproximei de um garoto com quem comecei a namorar. Vi que o Jaslef não gostava, mas eu não conseguia gostar dele como um namorado, mas sim como um amigo, um irmão.
Namorei sete meses com esse garoto, tivemos umas briguinhas e terminamos. Dois meses passaram-se e voltei a ficar com o Jaslef  por quatro meses.
Porém vi que não dava mais certo porque os ciúmes dele me impediam de fazer algumas coisas. Daí terminamos e passamos três meses sem nos falar. Para mim foi muito ruim, pois o menino com quem brinquei sempre desde a infância estava intrigado comigo. Assim, eu evitava muito passar por ele, porque quando passava, vinha aquele aperto no coração, aquela vontade de falar, mas sabia que se eu falasse ele não responderia.
Alguns dias passaram-se e eu não aguentava mais. Percebia que ele também tinha vontade de falar, mas estava esperando eu falar com ele primeiro. Então um dia peguei e enviei uma mensagem pra ele pedindo desculpas por tudo e querendo a amizade dele novamente. Ele aceitou. Percebi que algo tinha mudado, não era como antes, mas o carinho dele por mim continuava o mesmo de sempre. Às vezes temos umas briguinhas, ficamos sem nos falar, mas com umas horinhas tudo volta ao normal.
Aprendi com isso que nunca devemos desprezar quem gosta da gente, pois se um dia ela disser adeus, pode ser tarde para pedir desculpas. Então devemos dar valor a quem gosta verdadeiramente da gente.

                                                           Maria de Fátima Soares.

 Unidade Escolar Demerval Lobão, 1º B . Angical do Piauí. Setembro de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017

O pior dia da minha vida (relato pessoal)

                                  O pior dia da minha vida

Era noite do dia 5 de novembro de 2000. Dia que minha mãe me abandonou por estar traindo meu pai com meu tio. Eu tinha apenas dois anos de idade e ainda mamava. Apesar de ser pequena, eu entendia um pouco das coisas. Lembro dela dizendo que podia ter me matado e que tentou muitas vezes o aborto.
Eu era muito pequena, não merecia ser abandonada e deixada com pessoas que nem ela mesma conhecia. O que eu fiz pra ela ter tanto ódio de uma criança tão meiga e carinhosa? Eu entendia o que acontecia ao meu redor e fui crescendo e criando um ódio tão grande que não sei se consigo perdoá-la algum dia.
Ainda me lembro quando ela me chamava de minha princesinha. O que aconteceu com sua princesinha? Por que você a abandonou quando ela mais precisou? Você deu as costas. Que pena! Agora a princesinha cresceu e virou a vilã, descobriu outros significados da vida.
Quando minha mãe estava grávida de mim ela usava muito crack. Ao nascer, descobriram que eu estava com problema nos pulmões e por isso ela me desejava a morte. Logo quando me abandonou começou a vender drogas e a se prostituir e hoje ela é uma das maiores traficantes de Teresina e da minha parte ela só tem o meu desprezo.
Minha mãe me abandonou e agora tem o meu desprezo, nada vai mudar isso. Por causa dela hoje sou uma garota triste e amarga, que não se apega mais a ninguém, porque tem medo de ser abandonada outra vez e prefere ficar sozinha sem ninguém. Vive rodeada de pessoas, mas se sente só.
Ninguém se importa comigo, as pessoas só pensam nelas mesmas. Eu preciso de um pouco de atenção e de carinho. Às vezes sou chata, mas tenho um bom coração. Só quero ser feliz e amada. Não sou uma pessoa má e nem quero enfrentar a vida sozinha. Cadê aqueles amigos que dizem que são seus amigos, mas na hora que você mais precisa eles somem? A verdade é que as pessoas só querem a nossa amizade quando estamos numa boa.


                  Menina má (pseudônimo), 1ª série; turma A da Unidade Escolar Demerval Lobão, Angical do Piauí, AGOSTO de 2017.


sábado, 22 de julho de 2017

Mãos dadas - Carlos Drummond de Andrade ( Exercícios resolvidos)

Mãos Dadas
                    Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos,
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. 


1. Do ponto de vista formal, que elementos do texto de Drummond exemplificam a liberação do academicismo, deflagrada em 1922 e amadurecida em 30?

Os versos livres, as estrofes heterogêneas e o tom prosaico da linguagem constituem exemplos de liberação do academicismo, presentes no poema. 

2. Que versos da primeira estrofe indicam a recusa do eu lírico em compactuar com o "oficialismo literário", ou seja, a alienação em relação ao momento presente e à realidade histórico- social do país?

Trata-se dos dois versos de abertura do poema. 

3. Transcreva uma expressão do trecho selecionado na resposta anterior que exemplifique a visão negativa do poeta sobre o "passadismo literário", justificando sua escolha. 

A expressão é "mundo caduco", como se percebe pelo caráter pejorativo do adjetivo com o qual o poeta caracteriza o passadismo. 


4. Na segunda estrofe, o eu lírico expressa uma nova recusa. A que movimento literário ela se refere? Explique e exemplifique.

A recusa do eu lírico refere-se ao escapismo do estilo romântico, como se percebe por expressões presentes nos quatro versos iniciais da segunda estrofe: " cantar uma mulher", " dizer suspiros ao anoitecer", " distribuir entorpecentes e cartas de suicida" etc. 

5. Considerando a dimensão social presente no poema, e consequentemente seu caráter antiburguês, reflita: quem seriam os companheiros do poeta? Por que razão ''estão taciturnos'' e, por outro lado, por que ''nutrem grandes esperanças''?

Os "companheiros" do poeta são os oprimidos do sistema capitalista, como os operários. Se a exploração em que vivem os deixa taciturnos, por outro lado o poema acena com a possibilidade de uma revolução, como se percebe no último verso da primeira estrofe. 

Fonte: 


AMARAL, Emília. FERREIRA, Mauro. LEITE, Ricardo. ANTÔNIO, Severino. Novas palavras. 2ª ed. São Paulo: FTD, 2005.  

Poema Versos Íntimos - Augusto dos Anjos (Atividade)

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável 
Enterro de tua última quimera. 
Somente a Ingratidão - esta pantera- 
Foi tua companheira inseparável! 
Acostuma-te à lama que te espera! 
O homem, que, nesta terra miserável, 
Mora, entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera. 
Toma um fósforo. Acende teu cigarro! 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 
Se a alguém causa inda pena a tua chaga, 
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija! 
                                                                            Augusto dos Anjos 


1. Do ponto de vista formal, o texto se caracteriza como um soneto clássico. Justifique esta afirmação, considerando o esquema métrico e o esquema rímico nele presentes.
Os versos são decassílabos e as rimas são regulares ( ABBA; BAAB; CCD; DDC). 

2. O conselho ou ordem da terceira estrofe introduz no poema, de forma inesperada, um tom prosaico, de conversa cotidiana. O verso surpreende o leitor de forma irônica e provocativa, fazendo lembrar o Realismo psicológico de Machado de Assis. Releia as duas estrofes finais e, a partir delas, explique o sentido da utilização desses recursos no referido verso. 
Por meio da surpresa, da ironia e da provocação, o sujeito lírico procura quebrar a expectativa do leitor, como se o aconselhasse a se preparar para ler a afirmação cruel sobre o ser humano que vem a seguir. 

3. Observe que, no poema, homem, vida social, amizade, solidariedade, afeto (beijo, mão que afaga) transformam-se em ingratidão, terra miserável, fera, desafeto ( escarro, mão que apedreja). Nessa perspectiva, tente interpretar sua estrofe final.

a-Que ações o sujeito lírico recomenda ao leitor?
 O sujeito lírico recomenda apedrejar a mão vil de quem se recebeu um afago, escarrar na boca de quem se recebeu um beijo.


b-Numa leitura mais profunda, poderíamos pensar que o sujeito lírico estaria nos advertindo, precavendo-nos contra aquilo que parece nos ordenar, aconselhar a fazer. Que recurso estilístico presente em todo o texto permite esse interpretação? Por quê?

O recurso estilístico é a ironia, que permite essa interpretação justamente porque consiste em afirmar o contrário do que se pensa. 

4. O que há de irônico no título Versos íntimos, comparando-o com o conteúdo do poema?
O referido título é irônico, por sugerir um texto subjetivo, romântico, sentimental, o que a leitura efetiva do poema desmente, ao mostrar que se trata de um texto agressivo, desolador, que se aproxima do grotesco. 

Fonte: 
AMARAL, Emília. FERREIRA, Mauro. LEITE, Ricardo. ANTÔNIO, Severino. Novas palavras. 2ª ed. São Paulo: FTD, 2005.  

domingo, 25 de junho de 2017

As pombas, soneto de Raimundo Correia ( Interpretação )



     As pombas


Resultado de imagem para imagens pombasVai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...


1. O soneto está organizado em duas partes. Nas duas quadras, o eu lírico descreve o revoar das pombas; nos tercetos é estabelecida uma comparação.
a) A que é comparado o revoar das pombas?
    O autor compara o movimento das pombas aos sonhos da adolescência, que igualmente voam.
b) Qual é a diferença essencial, segundo o texto, entre os elementos comparados?
    As pombas retornam aos pombais ao fim da tarde, mas os sonhos adolescentes não voltam mais.

2. De acordo com os termos dessa comparação, identifique a que correspondem, no plano da vida:
a) a madrugada e a tarde;  A madrugada corresponde à juventude; a tarde, à velhice.
b) a nortada, que as pombas encontram, à tarde, fora dos pombais. Os percalços da vida, que acabam por fazer os sonhos se perderem.

3. Releia a última estrofe do soneto. Que visão sobre a vida e sobre a condição humana o eu lírico expressa nessa estrofe e no poema como um todo?
   O eu lírico, revelando preocupação metafísica, trata com pessimismo a condição do homem perante a vida e o tempo.

4. Destaque do soneto três características que comprovem a filiação do texto ao Parnasianismo.
    O descritivismo, a sobriedade e a contenção das emoções, o formalismo.


O AUTOR:
Raimundo Correia (1860 - 1911) é um dos poetas que, juntamente com Olavo Bilac e Alberto de Oliveira, formam a chamada " tríade parnasiana ". Maranhense, estudou Direito em São Paulo e foi magistrado em vários Estados brasileiros.
Sua poesia, no movimento parnasiano, representa um momento de descontração e investigação. Nela se verificam pelo menos três fases:
  • a fase romântica: com influência de Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, é representada por Primeiros Sonhos (1879);
  • a fase parnasiana propriamente dita: representada pelas obras Sinfonias (1883) e Versos e versões (1887), é marcada pelo pessimismo de Schopenhauer - pensador alemão que defendia a ideia de que todas as dores e males do mundo provêm da vontade de viver - e por reflexões de ordem moral e social;
  • a fase pré - simbolista: nela, o pessimismo diante da condição humana busca refúgio na metafísica e na religião, enquanto a linguagem apresenta uma pesquisa em musicalidade e sinestesia.
  
                                                     BONS ESTUDOS!


FONTE: 
 Português: linguagens, 2 / William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. - 9. ed. - São Paulo: Saraiva, 2013.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Via láctea (soneto XIII) e Nel mezzo del camin... (Exercícios resolvidos)



Você vai ler a seguir, dois dos mais conhecidos sonetos de Olavo Bilac.



Via Láctea


Soneto XIII
                     
 “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

Nel mezzo del camin...
“Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha…
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje, segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.”

1. No poema "Via láctea" há um diálogo sugerido pelo emprego de pronomes e verbos e pelo emprego das aspas. Identifique os interlocutores desse diálogo.
 O eu lírico, que é identificado pelos pronomes e verbos em 1ª pessoa, e seus interlocutores, vós, identificados pelo tratamento em 2ª pessoa do plural.
2. A propósito desse soneto:
a) Identifique no texto um exemplo de predomínio da emoção sobre a razão.
Principalmente no trecho "saudoso e em pranto", / "Inda as procuro pelo céu deserto".
b) O que é necessário, segundo o eu lírico, para estabelecer comunicação com as estrelas?
                                                    É necessário amar.
3. O poema "Nel mezzo del camin..." apresenta imagens e sugestões cenográficas, como se pudéssemos visualizar as cenas num palco. O texto pode ser dividido em duas partes ou em dois momentos de uma caminhada.
a) Qual é a primeira parte?
A primeira parte é constituída pela primeira estrofe.
b) E a segunda parte?
 A segunda parte é constituída pelas duas últimas estrofes.
A segunda estrofe refere-se  ao momento da interrupção da caminhada, ou seja, é o "mezzo del camin" ( no meio do caminho ).
c) Levante hipóteses: O que teria provocado a separação?
Talvez o desgaste do tempo ou o fim do amor.
d) Por que, na última estrofe, o eu lírico diz "tremo"?
Talvez porque, para ele, a separação tenha outro significado, ou seja, talvez ele ainda ame a mulher que parte.
4. O poema "Nel mezzo del camin..." apresenta várias repetições, algumas delas com inversão. Que efeito de sentido têm as repetições no poema?
Elas acentuam as ideias, reforçam as imagens e conferem ritmo ao texto.
5. Ambos os sonetos são muito apreciados pelo público e revelam as qualidades técnicas de Bilac como sonetista; contudo, não são os melhores exemplos da estética parnasiana. De que outro movimento literário notamos influência nesses textos? Justifique sua resposta.
Notam-se influências do Romantismo, principalmente no primeiro texto, em que o sentimento prevalece sobre a razão. O segundo texto, embora mais contido emocionalmente do que o primeiro e em transição para o Parnasianismo, ainda revela um enfoque romântico do amor ao tratá-lo pela perspectiva da frustração. 
       O AUTOR:
Olavo Bilac (1865 - 1918) nasceu no Rio de Janeiro, estudou Medicina e Direito, mas não concluiu nenhum desses cursos. Exerceu as atividades de jornalista e inspetor escolar, tendo devotado boa parte de seu trabalho e de seus escritos à educação. Foi defensor da instrução primária, da educação física e do serviço militar obrigatório. Patriota, escreveu a letra do Hino à Bandeira e dedicou-se a temas de caráter histórico - nacionalista.
Sua primeira obra publicada foi Poesias (1888). Nela, o poeta já demonstrava estar plenamente identificado com as propostas do Parnasianismo, como comprova seu  poema " Profissão de Fé ". Mas a concepção poética excessivamente formalista defendida por esse poema nem o próprio Bilac seguiu à risca.  Vez ou outra depreende-se de seus textos certa valorização dos sentimentos que lembra o Romantismo. Apesar de menos conhecidos ao público, há na produção de Bilac poemas amorosos de forte sensualidade, que o tornam  sempre lembrado entre os autores brasileiros que cultivaram a poesia erótica.                   
                                                                 BONS ESTUDOS!
FONTE:
Cereja, William Roberto
         Português linguagens: volume 2 / William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. __  9. ed. reform. __  São Paulo: Saraiva, 2013.  

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Iracema, José de Alencar ( exercícios resolvidos)


Resultado de imagem para iracema capitulo 2 vocabulario



                                                       Iracema
                                                                                                                               José de Alencar



                        Capítulo II






Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu onde campeava sua guerreira tribo da grande nação tabajara, o pé grácil e nu, mal roçando alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.

Iracema saiu do banho; o aljôfar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela As vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru te palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá , as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.

Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.

Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.

Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.

De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada, mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d'alma que da ferida.

O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.

A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.

O guerreiro falou:

—Quebras comigo a flecha da paz?

—Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro guerreiro como tu ?

—Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus irmãos já possuíram, e hoje têm os meus.

—Bem-vindo seja o estrangeiro aos campos dos tabajaras, senhores das aldeias, e à cabana de Araquém, pai de Iracema.

     www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/...e.../IRACEMA/02.HTML


1) A caracterização da personagem é feita por meio de comparações. Observe os quatro primeiros parágrafos. 
a) A que elementos Iracema é comparada?
    É comparada ao mel, à baunilha, aos pássaros e às plantas; enfim, é comparada a elementos naturais.
b) Nessa comparação, quem se destaca mais: a índia ou esses elementos?
     A índia, pois nela tudo é superior: "cabelos mais negros que a asa da graúna", "o favo da jati não era doce como seu sorriso".
c) Que característica romântica se observa nesse procedimento?
   A idealização da heroína e da mulher.

2) José de Alencar foi um dos principais escritores brasileiros empenhados no projeto romântico de construir uma identidade nacional. Por meio da literatura, o escritor pretendia libertar a cultura brasileira do domínio da cultura portuguesa. De que modo o escritor põe em prática esse projeto, no texto, considerando-se os aspectos da língua e do espaço?
   Empregando palavras indígenas e destacando elementos da fauna e da flora nacionais; por meio desse procedimento, o autor procurou criar uma literatura identificada com  nossa gente, nossa cultura e nossa natureza.

3) Tomando por base a leitura do capítulo II, acima, aponte a opção que apresenta a correlação ERRADA.
A) Graúna - pássaro de cor negra luzidia.
B) Ará - palmeira de grandes espinhos.
C) Oiticica - árvore frondosa, apreciada pela deliciosa frescura que derrama sua sombra.
D) Jati - pequena abelha que fabrica delicioso mel.
E) Uru - cestinho que servia de cofre às selvagens para guardar seus objetos de estimação.

       Ará: periquito

4) O surgimento de Martim, o guerreiro branco, representa o primeiro contato entre Iracema e a civilização europeia. Esse encontro provocará a sucessão dos acontecimentos narrados nos capítulos posteriores do livro: o amor de Iracema por Martim; sua exclusão da tribo tabajara; sua partida para o litoral cearense, acompanhando o amante; o nascimento de um filho (Moacir, símbolo do primeiro cearense); a morte de Iracema.
a) Considerando as consequências futuras desse encontro, explique o significado simbólico e premonitório que podemos atribuir à frase "Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta".
    Não é apenas a harmonia da sesta que se quebra. O contato com a civilização quebrará a harmonia da vida selvagem, a harmonia existente entre Iracema e a natureza.
b) Ferido por Iracema, qual foi a atitude de Martim?
    Num primeiro gesto, Martim levou a mão à espada para defender-se. Mas, percebendo que quem o atacava era uma mulher, ele apenas sorriu.
c) Em que sentido a atitude de Martim está ligada à idealização romântica da mulher?
   Para Martim, era inconcebível que uma mulher representasse um perigo do qual ele necessitasse se defender. Como personagem romântico, ele vê a mulher como um ser essencialmente bom e puro, feito apenas de ternura e amor.

                                             BONS ESTUDOS!




sexta-feira, 2 de junho de 2017

Navio Negreiro (parte IV) Exercícios com gabarito


O texto que segue, a parte IV de "O navio negreiro", é a descrição do que se via no interior de um navio negreiro. Perceba a capacidade de Castro Alves em nos fazer ver a cena, como se estivéssemos num teatro.

Era um sonho dantesco... O tombadilho,
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras, moças... mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.

E ri-se a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra.
E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais!
Qual num sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...

açoite: chicote.
arquejar: ofegar.
dantesco: relativo às cenas de horríveis narradas por Dante Alighieri em sua obra Divina comédia, na parte em que descreve o inferno.
luzernas: clarões.
tombadilho: alojamento do navio.
turbilhão: redemoinho.
vãs: inúteis, sem valor.

1. O texto revela grande força expressiva em razão de sua plasticidade, criada a partir das fortes imagens e das sugestões de cor, som e movimento que envolvem a cena. Com relação a esses recursos, responda:
a) A que se referem as metáforas "a orquestra" e "a serpente" na 3ª e na 6ª estrofes? 
    A "orquestra" é metáfora do conjunto de sons (gritos, lamentos) emitidos pelos negros maltratados. A "serpente" é o chicote.
b) Duas cores são postas em contraste na 1ª e na 2ª estrofes. Quais são elas e o que representam?
    As cores são o vermelho e o preto que compõem o dramático painel em que o sangue dos escravos contrasta com o negro de sua pele.
c) Observe a 1ª, 3ª, 4ª e 5ª estrofes e destaque delas  palavras ou expressões que sugiram movimento.
    Entre outras, "Horrendos a dançar", "a serpente/Faz doudas espirais...", "Fazei-os mais dançar!...".
d) Observe a 1ª e a 3ª estrofes e destaque delas palavras ou expressões que se associem a sonoridade.
   "Tinir de ferros... estalar de açoite...", "E ri-se a orquestra, irônica, estridente...","Ouvem-se gritos... o chicote estala."

2. Acentuando a plasticidade do texto, por duas vezes o poeta aproxima as ideias de som e movimento, empregando as palavras orquestra e dança, como se houvesse uma dança dos escravos ao som da orquestra. De acordo com o texto, explique que tipo de dança os escravos realizam.
    A dança dos escravos é , na verdade, o conjunto de movimentos - acompanhados pelos gritos de dor (a orquestra) - que os negros fazem ao serem chicoteados.

3. Além de antíteses, também hipérboles foram empregadas nesse poema de Castro Alves. A hipérbole é uma figura de linguagem que se caracteriza pelo exagero na expressão. Destaque da 1ª estrofe três hipérboles e indique que efeito de sentido têm no texto.
    Há hipérboles em "sonho dantesco", "Em sangue a se banhar" e "Legiões de homens", que acentuam o tom trágico da cena descrita.

4. O poema "O navio negreiro" tem uma finalidade política e social evidente: a erradicação da escravidão no Brasil. De que modo o poeta procura atingir o público e convencê-lo de suas ideias: com argumentos racionais ou com a exploração das emoções? Justifique.
   A base de argumentação da parte IV é a emoção. A plasticidade da cena e o detalhamento das descrições levam o leitor a compor um rico painel de suplícios da escravidão e, dessa forma, sensibilizar-se diante da causa defendida pelo poeta.

                                                      BONS ESTUDOS!
FONTE:
Cereja, William Roberto
         Português linguagens: volume 2 / William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. __  9. ed. reform. __  São Paulo: Saraiva, 2013.